MEI ou Simples Nacional: qual vale mais a pena
A diferença entre os dois não é só o imposto: é o limite de faturamento, o número de funcionários, as atividades permitidas e a burocracia que vem junto.
O MEI em números
Limite de faturamento de R$ 81 mil por ano (R$ 6.750 por mês, em média — o que importa é o total do ano, não o mês isolado). Um funcionário no máximo, e só atividades da lista permitida.
O imposto é fixo, independente do quanto você fature: em 2026, R$ 82,05 para comércio ou indústria, R$ 86,05 para serviços e R$ 87,05 para os dois. Desse valor, R$ 81,05 são INSS — o que garante aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
Faturando os R$ 81 mil cheios, a carga tributária fica em torno de 1,3% do faturamento. Não existe regime mais barato no Brasil.
Quando o MEI deixa de servir
Três situações forçam a mudança:
- Faturamento acima de R$ 81 mil. Até 20% de excesso, você paga a diferença e migra no ano seguinte. Acima disso, o desenquadramento é retroativo ao início do ano — e o imposto é recalculado como ME, o que costuma doer.
- Contratar o segundo funcionário.
- Atividade fora da lista. Muitas profissões regulamentadas (médico, advogado, engenheiro, psicólogo, contador) não podem ser MEI, independentemente do faturamento.
O Simples logo acima do MEI
Ao virar Microempresa no Simples Nacional, o imposto deixa de ser fixo e passa a ser um percentual do faturamento — a alíquota efetiva. Na primeira faixa, ela começa em 4% (comércio), 6% (serviços do Anexo III) ou 15,5% (serviços do Anexo V).
Repare no salto: sair de ~1,3% para 6% quadruplica a carga. Para serviços profissionais no Anexo V, o salto para 15,5% é ainda mais duro — e é aí que o Fator R importa: se a folha de pagamento (incluindo pró-labore) chegar a 28% do faturamento, a atividade migra para o Anexo III e a alíquota cai pela metade.
Entram também custos que o MEI não tem: contador (obrigatório na prática, R$ 200 a R$ 500 por mês), obrigações acessórias mensais e, se houver funcionário, folha completa com encargos.
Como decidir
Se você cabe no MEI, fique nele — não existe comparação de custo. A conversa só começa quando um dos três limites aperta.
Se já está perto do teto, faça a conta antes de crescer: simule a alíquota efetiva do seu anexo na calculadora do Simples Nacional e veja quanto sobra de fato. Muita gente descobre que precisa reajustar o preço da hora ao mudar de regime — o que dá para dimensionar na calculadora de valor da hora.